quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Mulher torturada e morta com braços amarrados na Barra do Ceará foi estuprada, confessa suspeito


A Polícia prendeu o suspeito de matar a jovem Cristina Juvenal do Nascimento, de 19 anos. Ele confessou ter estuprado a vítima. O corpo da garota foi encontrado enrolado em uma rede, com os membros superiores amarrados, na Barra do Ceará. O crime ocorreu em julho deste ano.

Além do estupro de Cristina, o suspeito também confessou ter cometido outros crimes da mesma natureza.

Cristina desapareceu no dia 9 de julho, depois de sair de casa para o trabalho, e o corpo dela foi encontrado no dia 11, na Rua Alberto de Oliveira, na Barra do Ceará, em Fortaleza.

Além dos membros amarrados, a polícia encontrou alguns fios em volta do pescoço da vítima. As condições do cadáver demonstravam que ela havia sofrido tortura. Não foram constatadas marcas de ferimentos a bala, nem provocadas por objetos cortantes.

A Polícia Civil dará mais detalhes sobre o caso durante coletiva de imprensa na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), nesta tarde.



Fonte: Diário do Nordeste

Ceará registrou 33 mil assassinatos nos últimos 10 anos


A cada dia, pelo menos nove pessoas são mortas no Ceará. Por semana, são 63 casos. Por mês 252; por ano 3.024. A média de Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs), na última década, demonstra a alta taxa de letalidade no Estado. De janeiro de 2009 até setembro deste ano, 33 mil pessoas foram assassinadas. Estatísticas da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) apontam para uma violência, cada vez mais grave, a despeito de altos e baixos nos índices.

Crimes bárbaros passaram a ser vistos na rotina da população. Ontem, quatro cabeças foram encontradas às margens da Lagoa do Urubu, na divisa entre os bairros Álvaro Weyne e Padre Andrade. Conforme um policial militar, três cabeças são de homens e a quarta de uma mulher.
Dois homens foram presos sob a suspeita de participar do triplo assassinato, ocorrido na noite de terça-feira (30). Um deles informou à Polícia que as decapitações foram motivadas por rivalidade entre facções criminosas. "Cortei a cabeça dos três quando eles já estavam mortos, com uma faca", disse um homem, ainda não identificado, quando capturado pela PM.

Além dos três presos, outros oito criminosos estariam envolvidos no triplo homicídio. Desde o ano passado, a barbárie envolvendo crimes cujas vítimas tiveram partes dos corpos decepadas, mostrou ser consequência de um 'julgamento' promovido pelos próprios criminosos, que decidem quem deve viver ou morrer, em nome das regras de cada facção. Regras criadas e impostas internamente por aqueles que instituíram uma espécie de lei paralela.

Auge

Dos 33 mil Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs), cerca de 25 mil aconteceram nos últimos cinco anos. O auge da violência atingiu o pico em 2017, quando foram contabilizados 5.133 casos. Quanto mais as facções criminosas se alastravam pelas Cidades, mais a sociedade percebeu viver em um cenário de guerra civil. No entorno de residências e comércios, trancas, muros altos, cercas elétricas, câmeras e vigilância armada. A população aprendeu a se proteger para sobreviver.

Para o pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV) e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Luiz Fábio Paiva, "os poderes públicos têm insistido em uma alternativa policialesca para problemas estruturais". Paiva afirma que o problema necessita de atenção multissetorial. "As forças policiais não têm condições de resolver as situações geradoras do crime. Por isso, mesmo com investimento vultosos na área de segurança, concentrados na Polícia Militar, não conseguimos mudar o cenário".

O atual perfil de quem mais morre no Estado se mantém o mesmo no passar dos anos. São homens negros, de 15 a 29 anos de idade, com baixa escolaridade e renda que compõem a maior parte das estatísticas dos CVLIs. O dado mostra que os jovens da periferia se mantém como principal alvo da violência. A desigualdade social permanece como um dos principais fatores influenciadores da criminalidade. Em Fortaleza, as Áreas Integradas de Segurança (AIS), instaladas em bairros da periferia, são as que registram maiores índices de mortes violentas, a exemplo do Conjunto Ceará, Granja Lisboa, Siqueira, Antônio Bezerra, Bela Vista e Parque Iracema.

Parte dos jovens assassinados haviam se envolvido de alguma forma com facções criminosas. Encontraram dentro desses perigosos grupos uma promessa de vida melhor, mesmo que isso significasse infringir as leis. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, ontem, que o número de mortes de homens, na faixa etária entre 15 a 24 anos, por motivos externos, cresceu 144,15%.

Foram 2.674 casos nesta faixa etária em 2017, o que representa 8% dos 32.106 casos gerais de homens no ano. Os dados são do informativo 'Estatísticas do Registro Civil'. No quesito 'mortes externas' são considerados casos de suicídios, acidentes de trânsito, afogamentos e homicídios. Sete estados tiveram aumento nos números, cinco deles estão na região Nordeste: Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Bahia e Ceará.

Facções

A cada fala, representantes da Segurança Pública do Estado reiteram que o problema da violência é uma queixa nacional. A disparada na criminalidade tem relação direta com a presença das facções criminosas. No ano de 2017, quando o Governo do Ceará começou a falar abertamente sobre a extensão das organizações criminosas, a população percebeu a autoridade dos criminosos, diante das exigências deles.

Atualmente, a facção Guardiões do Estado (GDE) é a que mais arregimenta jovens. A chance de se tornar uma liderança local em pouco tempo - mesmo tomando atitudes consideradas inconsequentes até dentro do 'mundo do crime' - agrada àqueles que estão dispostos a contar com o tráfico, como 'meio de vida'.

Luiz Fábio Paiva destacou que o número alarmante de homicídios na periferia mostra que o Estado insiste em medidas paliativas, sem políticas de alcance social abrangentes.

Chances

Para o especialista, é preciso olhar para a juventude com o desejo de resgatar a dignidade das pessoas e gerar oportunidades, para que tenham chances reais. "Os pais de família mais pobres não encontram uma retaguarda e, geralmente, sente-se impotentes diante da ascensão de coletivos criminais em seus locais de moradia. Essa tragédia não aconteceu da noite para o dia e, também, não será desfeita com medidas de policiamento e enfrentamento armado", afirma o professor.


Fonte: Diário do Nordeste

Bolsonaro pode anunciar hoje juiz Sérgio Moro como superministro


O desenho da Esplanada dos Ministérios do presidente eleito Jair Bolsonaro ganhou contornos finais, ontem, indicando uma redução à metade das atuais 29 pastas. Hoje ele encontra, no Rio, o juiz Sérgio Moro, que pode aceitar o convite para ser superministro.  Para efetivar o enxugamento da máquina, os aliados do capitão reformado optaram por realizar fusões de pastas.



Além do superministério da Economia, sob o comando de Paulo Guedes, que reunirá as atribuições hoje delegadas à Fazenda, Planejamento e Ministério da Indústria e Comércio Exterior, haverá, por exemplo, as superpastas da Justiça e Integração Nacional.


A Pasta da Justiça, oferecida a Moro, seria resultado da fusão daquela com as estruturas de Segurança Pública e Transparência e Controladoria-Geral da União.  A área social, hoje abarcada em Desenvolvimento Social, seria unificada em um único Ministério, que cuidaria também de Direitos Humanos, hoje uma Pasta independente.



Educação deve ser fundida com Esportes e Cultura e a coordenação de ensino superior deve ser desmembrada da pasta para Ciência e Tecnologia, cujo ministro foi anunciado, ontem, por Bolsonaro, o astronauta Marcos Pontes.



O Ministério de Integração Nacional deve ser fundido com outras duas pastas: Cidades e Turismo. Diante da reação do setor agrícola e ambiental, Bolsonaro reavalia a conveniência de fundir as Pastas da Agricultura e Meio Ambiente num único Ministério. Minas e Energia e Transportes serão Pastas distintas, deixando para trás o plano de criação de um Superministério que uniria as áreas temas ligados à Energia e Transportes. Pelo desenho discutido, a Pasta de Transportes, que abarca Portos e Aviação Civil, seria renomeada para Infraestrutura. Ainda está em discussão a possibilidade de que ela abrigue também Comunicações, hoje ligada à Ciência e Tecnologia.



A Secretaria do Programa de Parcerias em Investimentos (PPI), criada por Michel Temer para cuidar de concessões e privatizações, deve ser ligada diretamente ao Palácio do Planalto. Hoje, o PPI está vinculado à Secretaria da Presidência. No governo Bolsonaro, estuda-se passar a estrutura a um vínculo direto à Presidência ou mesmo ao vice, general Hamilton Mourão.



O Banco Central, que deve ter autonomia formal, vai perder o status de Ministério de acordo com o desenho em planejamento. Devem manter o status atual 6 dos 29 ministérios: Defesa, Saúde, Trabalho, GSI (Gabinete de Segurança Institucional), Minas e Energia e Relações Exteriores.



Ontem, o futuro ministro da Casa Civil, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), entregou ao Palácio do Planalto 22 nomes de assessores que vão compor a equipe de transição do presidente eleito. Ele se reuniu com o atual ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, para dar início oficialmente ao processo de transição.



Segundo Lorenzoni, trata-se de uma primeira lista, com nomes mais concentrados na área econômica e de infraestrutura. Os nomes indicados ainda precisam passar por uma triagem, feita pelo governo atual, para serem publicados no Diário Oficial. O atual governo informou que a lista não será divulgada antes de serem submetidos a uma investigação pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).



A transição começará com uma equipe incompleta. Os assessores de Bolsonaro ainda não conseguiram 50 colaboradores para a equipe de transição.




Fonte: Diário do Nordeste